Origens: A Ordem do Templo
As primeiras referências escritas a esta quinta datam do século treze e encontram-se nas inquirições promovidas por el-Rei D.Afonso terceiro. É mencionada uma "quintana pertença da Comenda de Cabo Monte da Ordem do Templo" e sabe-se que à data eram os templários que administravam estes domínios.
Tamanho o mito criado à volta destes monges guerreiros, tantas as lendas urdidas a seu respeito, que a verdade dos factos se confunde o mais das vezes com a fantasia. Sabe-se que a Ordem foi criada em 1108 por Hugh de Payens e mais oito companheiros de armas com o intuito de garantir a segurança dos que peregrinavam a Jerusalem. Pouco ou nada se sabe das suas demandas nos primeiros anos da sua existência mas, a partir de 1118, altura em que obtiveram a Regra e o beneplácito papal, iniciou-se uma ascensão vertiginosa da Ordem em termos de poderio financeiro e político, a ponto de suscitar inveja nos mais diversos quadrantes. Enquanto na Terra Santa e no sul da Península Ibérica pelejavam os cavaleiros, nas comendas, doadas à Ordem por reis e nobres como sinal de gratidão pelos serviços prestados, praticava-se a fazenda agrícola, parte importante da administração do Templo. Tal seria a função desta quinta nos primórdios da sua existência.
Da Ordem do Templo para a Ordem de Cristo
A história da extinção da Ordem do Templo, se bem que tenha dado azo às interpretações mais fantasiosas e servido de substrato às mais variadas teorias da conspiração, é de facto simples e sobejamente conhecida. Após a queda dos reinos latinos do Oriente volta para França uma tropa de elite treinada para pelejar nas condições mais adversas e desde então sem justificação para a sua existência, composta por guerreiros sem nada que fazer. Num país a braços com a afirmação da sua identidade territorial e política, cujo rei busca a todo o custo consolidar o seu poder, a Ordem, com o seu estatuto de soberania, passa a ser um empecilho. Daí à sua extinção mais não falta do que urdir acusações, umas caluniosas, outras com base nos excessos aos quais se entregam alguns dos seus elementos.
Após um processo moroso e cruento, a Ordem é finalmente extincta em 1311, mas nos países ibéricos, onde os seus atributos bélicos permanecem válidos na luta contra o Mouro, alguns reis, nomeadamente D.Dinis de Portugal e D. Jaime II de Aragão, optam por fazer transitar os monges guerreiros para outras ordens criadas de raiz para o efeito. Assim nasce em Aragão a Ordem de Montesa e em Portugal a Ordem de Cristo, para cuja posse transita a Quinta do Fayal no primeiro quartel do século catorze.
Sala de Jantar
Lápide sobre o portal interior de acesso à casa: "Casa e Quinta do Fayal pertença da Commenda de Cabo Monte da Ordem de Christo".
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Origens: Templários e Ordem de Cristo
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